Image hosting by Photobucket

sábado, fevereiro 26, 2005

pequeno e simples

Já acordaste?
Vamos tomar o pequeno-almoço à esplanada do rio...
Deixaram-me sair por bom-comportamento...
Levo o champanhe ou brindamos com chávenas de café?
O que se passa aqui?
Não está muito claro apesar da luz ofuscante da manhã...
Que som é este?
Toda a gente sabe o que se passa,
No entanto continuo enganado...
Nasci do divino e “in vino veritas”
É verdade...
Cheguei atrasado, estavas de braços cruzados...
Parabéns!
Bom dia...
Quando a saudade aperta...
Eu sinto amor...
As linhas do comboio estão quentes...
Está frio, eu bato os dentes
Freneticamente...
Já tenho saudades,
Vamos tomar o pequeno-almoço?
Já acordaste?

Autor: Motta

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

humano - demasiado - humano

Estarei a ficar louco?
“vou tirar o casaco”
Se calhar dormi pouco.
“vou fingir-me de mouco”
E atirei as culpas ao acaso
De me ver perdido na sorte.
Vejo olhos virados para o vaso
Que suporta a terra das flores
Que assistirão à minha morte,
Ao eterno princípio do fim das minhas dores.

!!! humano – demasiado – humano
Ai, um pouco de raiva,
Ai, uma pitada de sal,
Ai, outra de pimenta...
Ainda assim, o fascínio sustenta,
Ainda assim, aprender é vital,
Ainda assim, algo me atormenta,
Porque sou:
!!! humano - e coisa – e tal.

!!repetitivo.-demasiado.- repetitivo!
Ai, um cerrar de dentes,
Ai, a testa franzida,
Ai, os olhos brilhantes...
Ainda assim, somos amantes,
Ainda assim, sorrimos à vida,
Ainda assim, não somos parentes,
Porque somos:
!!repetitivos.- no regresso.- e na partida!

Estarei a ouvir o comboio da linha?
“vou levantar-me do chão”
Se calhar estou a imaginar.
“vou fingir-me de mauzão”
E convem-me que lá venha
O abençoado navio.
Vejo o mar afogado em lenha
Que arde na minha saudade,
Que se há-de apagar no rio,
No rio do esquecimento e da idade.



Pedro Branco

domingo, fevereiro 13, 2005

peso do branco (?) Posted by Hello
By Motta

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

mário moita II

Sinto as coisas a adquirirem uma leveza insuportável. Tapo tudo com branco e escrevo-te nas entrelinhas.
A sala está vazia. Só uma luz encadeante ressalta dos objectos que lá não estão. Escrevo a minha mão na tua, no espaço que não me pertence.
Regresso à impessoalidade de tudo e tudo me parece cair na escuridão absoluta. Penso minuciosamente nas estórias que me foram contadas ao longo das horas. O peso das horas não me suporta.
A porta não está tapada, para lá dela está a coisa mais bela: o desconhecido, o fruto proibído, o vento híbrido do mar. As palavras perdem o nexo que nunca tiveram e ganham os restos do nada que sempre foram.
O cheiro da nuca de um bébé é inconfundível. Tomo o meu filho nos braços e choro. O cheiro das minhas lágrimas nas suas costas é passível de não existir, no entanto, sinto-o como se fosse hoje o meu nascimento.
Às vezes fico louco como tu, meu caro amigo. Perco a lucidez e agarro a parede na esperança de a sentir, de sentir as minhas mãos frias. É num terrível estado alterado de consciência que me encontro ao teu lado, esquecido.
Estou do lado esquerdo do Pai meus irmãos. É dia nove de Fevereiro de 2005, sinto o sangue das entranhas das pedras das calçadas preso nas minhas mãos, seco e preto.
Sei lá, às vezes perco-me e volto atrás, às dissertações das notas de rodapé: saudosismos infundamentados e precoces. As janelas estão fechadas, as portas estão encostadas para as gatas poderem entrarem e aninharem-se na minha cama para me reconfortarem.

Mário Moita

pedro branco I

Caro Mário Moita,

Esta vida de apaixonado que me açoita,
Corrói-me as veias que não tenho.
Sinto-me velho,
Não sei para onde vou
Ou de onde venho,
Se de uma paixão de uma guitarra,
Se do canto de uma cigarra,
Se de um espelho,
Se de um reflexo do que não sou.
Agradeço-te meu amigo,
Mas não quero estar contigo,
Não quero dois dedos de conversa,
Quero a mão dela na minha.
Os gatos pretos que saltam de muro em muro
Perdem-se na minha vontade de saltar para o escuro,
Perdem-se no desejo de lhe dar um beijo que não dei,
Perdem-se em tudo o que eu não sei.
Cândida Flor não está sozinha,
O gato branco entrou,
Eu passo na rua sem olhar para trás,
Eu só lhe queria dizer: não vás.
Já não sei se sou,
É como te digo meu amigo,
Agradeço-te por tudo
Mas preciso de ficar surdo e mudo
Para não me ouvir susurrar o nome dela.


Do teu sempre louco amigo eterno,


Pedro Branco

mário moita I

“(...) o que é certo é que embarquei num ciclo de me reconhecer. Sentei-me em frente à fogueira, no acampamento montado de improviso, rodeado por coisa nenhuma e, no entanto, sentia-me totalmente preenchido pela envolvência mística e metafísica das coisas.
(...) o rio falava-me de amores que tinha visto passar, paixões pouco acreditadas e nunca concretizadas. Era eu que me falava, era eu que me ouvia, numa ânsia amena de me fecundar e confundir com a matéria, com o espaço, com o tempo: uma forma de matar o eu que tanto me assombra quando me sento à sombra de mim.
(...) gosto de acreditar que não me falta vontade, nem arte, nem engenho, mas assusto-me quando sinto que é tarde para o que venho. Tenho medo de cair numa loucura profunda, mas não será já ser louco, ter medo de ser pessoa?
(...) voltei. Escrevi um romance maçudo, um best-seller para a mesa de cabeçeira do cidadão comum, para as mulheres que vão ao sul para se deitarem na ilusão de relaxar, por não assimilarem a beleza e o milagre de acordar. Voltei e escrevi um best-seller: aquilo que se exige quando se quer passar uma mensagem às massas que só devoram o livro porque pertencem às massas. E quando o livro lhes pede que se libertem?
(...) estou na antecâmara da morte, um sono profundo de olhos fechados, um sono onde vejo o mundo todo a reconhecer a liberdade de ver para além... para além de tudo o visível... um mundo que acorda com vontade de acordar... que come com vontade de comer... que é uma criança enorme em rotação constante, num estado admirável, onde todas as coisas lhes permitem sorrir e felicitar o corpo por sobreviver. Um mundo onde todos justificam o seu tempo e sentem-se crianças em corpo de ansião (...) “

Mário Moita

O que não se diz, escreve-se!

Abandonar-te é abandonar-me
E não ter-te é morrer em pé
Ouvidos moucos, juras mal feitas
A quem amo e por quem é

Se por mim ou por ti
Se te amo ou se me amas
E amar-te é sem ter fim
Já nos vimos em tantas camas

Brindo pois ao futuro
O que passou me pregou partida
E deixar-te, deixou-me ferida
A pele que afagaste à saída

Sem principio te vi
Pois eterna te tornaste
Em que fogos te consumiste
Em que tempo me deixaste

Durmo agora sem fim
Ou procuro matar-me acordado
Sem ti, companheira, é triste
Viver é estar desconsolado



- Autor anónimo -

terça-feira, fevereiro 01, 2005

20 de Fevereiro

Em motivo obsessivo
Megalómano, impreciso
Investia o Governo
Com muita falta de siso
Em TGV’S e outras velocidades
Que andam a outro passo
E quase em contrapasso
Ou contra senso
Porque o comum
Assim o penso
Não vê progresso algum

Distraído, ou bem que descaído
Do pedestal do poder
Está um burro e trinta tolos
Para uns fina iguaria
Para o povo, papas e bolos

E espantam-se os cebolos
Se o povo às urnas não vai
Se o bebé de um levou nos cornos
Para o do outro não há pai

Esgrimam-se, então, com mimados preceitos
Os dois putos do recreio político
Que vestem mal o bibe, mas andam direitos
Palrando baboseiras em discurso mítico

E às direitas, que esquerdas
Bem com às esquerdas dextras
Andam milhões em crise
À espera de horas melhores que estas

Um com nome de filósofo
Outro com nome de atleta
Agridem-se com pobres demagogias
Para o povo o etc.

No jogo da macaca democrático
O vulgo não se isenta de responsabilidades
Pensem, com a cabeça, ma não de modo automático
Porque a vida não é a quinta das celebridades

Afugentem os retóricos
As propagandas e as publicidades…

fiquei cego de mim Posted by Hello
By Motta